sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tolices

Quantas mortes cabem em uma vida? Há quem diga que cada expiração é uma morte. Talvez. Amei pessoas que não conheço mais. Tive amigos com que não converso mais. Admirei paisagens que não vejo mais.
Cada perda, cada separação é uma morte. Já velei muitos mortos nas noites do meu coração. E que noites escuras! Noites frias, chuvosas. Sopram ventos fortes nos campos de minha alma. E é nessa escuridão que nasce a Lua - brilhante,esplendorosa, senhora de seu céu. As nuvens abrem espaço para sua luz e as etrelas, admiradas, curvam-se em respeitosa prostração. Mas a Lua também morre, calada, sufocada, no poente.
Quantas mortes cabem em uma vida? Nenhuma morte cabe em uma vida. A Lua não nasce nem morre. Nem o fazem as pessoas. Tudo está em constante mutação. O Universo se faz de um grande fluxo: um fluxo de peoesia, de melodia, de fantasia. A morte criamos nós, os tolos, baseados nas parcas observações de nossa limitada consciência.
Não somos a mesma pessoa um momento se quer, morremos inúmeras vezes em uma só expiração. Somos apegados a um conceito falso que criamos de nós mesmos, de nossos relacionamentos, de nossas realidades. Quando nossa ilusão dissocia-se tanto do que acontece ao nosso redor - nosso sistema de mundo desaba. Então sofremos. Tolice pura.

5 comentários:

Victória disse...

Nathan, adorei esse texto =)

Tu que escreveu, mas: "Quando nossa ilusão dissocia-se tanto do que acontece ao nosso redor - nosso sistema de mundo desaba. Então sofremos. Tolice pura."

ótimo ^^
ushauuahs

juliana disse...

pode ser tolice, mas é impossível não sofrer..
então acreditas em vida após a morte?!
sempre com temas polêmicos.. adoro!

beijos Ju

Luciano disse...

o que é a vida sem a morte?
se as árvores não morressem, ninguém choraria a perda delas - o mesmo vale para as pessoas e qualquer outra coisa. É a breviedade da existência de tudo que há neste universo que torna cada individualidade tão especial.
O sofrimento é uma grande homenagem ao que já se passou.

Luísa 'Raposa' Vanik disse...

Acho que o problema maior não é aceitar a morte em si, mas aceitar o que vem depois dela (as pessoas que ainda vivem). Certamente a vida continua mesmo quando perdemos algo/alguém... nós temos alguns mecanismos de defesa para superar as perdas. Mas e quando surge aquele sentimento de "como seria se..."?:/
Não deixa de ser uma tolice nossa ter essa visão egocêntrica, mas...

Marcos Dasilva disse...

Nathan isso é arte pura...é só deixar fluir, cara vc me inspira! Um abraço