domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lei de Hubble

“Ficar lúcido – é só o que importa”, foi o que me disseram numa mesa de bar. São nossas percepções, nossas crenças, nossos modelos, que nos fazem sofrer. Dentro de nossos modelos, criamos expectativas, projeções, interpretações da realidade. E, quando essas interpretações são muito distorcidas, quando projetamos demais desejos e vontades próprias, que, de forma alguma, se encontram presentes nos fatos, em algum momento, a discrepância entre o que acreditamos ser a realidade e a forma como ela se apresenta será grande o suficiente para pegar todas as nossas ilusões e fantasias e queimá-las impiedosamente. A vida não tem piedade. Ela é. Ela se apresenta. Não pede licença para nos esbofetear.
Talvez eu tenha levado a sério demais o conselho da raposa: “tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas”. Eu não pedi paixão, eu não pedi interesse, eu não pedi carinho. Mas me cativaram e nem sempre de maneira responsável. E ,logo, já salta um exemplo de um modelo interno que criei. A responsabilidade não está em lugar nenhum. Eu presumi que ela existiria. Daí a importância de estar lúcido, de reconhecer nossos padrões, nossas ilusões. Não era disso que Gautama falava? Pra que os mantras, as orações, as reverências? Sou mundano demais pra ser budista – não consigo acreditar em cartilhas pré-fabricadas. Acho que o processo de transformação é muito íntimo e subjetivo - uma transformação orgânica demais – para ser tão generalizado.
Não sei qual é a razão disso tudo. Convenço-me, cada vez mais, que a vida é uma grande ilusão, um sonho, um delírio. Somos a loucura manifesta. Criamos amarras, âncoras, correntes. Prendemo-nos, ou pensamos que nos prendemos, a pessoas , a lugares, a religiões, a grupos. Tudo delírio. No fundo, tudo carece dessas amarras, tudo é vazio de prisões. E assim, deveríamos ser também. Talvez o segredo seja existir como o Universo: vazio (de amarras) em expansão.

4 comentários:

Carol disse...

Perfeito esse teu texto.

Turma de alunos 2010 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Turma de alunos 2010 disse...

É isso então... VIVER sem amarras.

Mauri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.